Aceitando

Há momentos na vida, onde tudo parece estar perfeito, maravilhoso, melhor que o sonhado. Muitos desses momentos têm continuidade e nos permitem experimentar esta sensação de alegria profunda e realização, outros não. Alguns desses momentos são subitamente interrompidos por causas inesperadas, fatos inusitados e circunstâncias inimagináveis.

Diante dessas situações, seja forte. O mundo é dos fortes, diria uma sábio amigo se estivesse ao meu lado agora. A verdadeira força reside nas capacidades de aceitação e de recomeçar.

Aceitação não é comodismo ou fuga. Aceitar é receber os fatos que não podemos alterar e encará-los como circunstâncias a serem vivenciadas.

A encruzilhada das contradições

Eu sou um humano. Eu sou um homem. Eu sou filho. Eu sou irmão. Eu sou um amigo. Eu sou um estoico. Eu sou um hedonista. Às vezes sou religioso, às vezes ateu. Sou tudo isso e muito mais ao mesmo tempo.

Mas…

E se eu precisar cumprir os deveres e obrigações  de várias funções ao mesmo tempo? Não existem momentos em que estes papéis então em conflito um com o outro?

Às vezes, você simplesmente não pode atender às demandas de todos os papéis que desempenha. Haverá algumas escolhas difíceis a fazer, que arranham a pele de sua consciência.

Nessas ocasiões, acho que existem três maneiras pelas quais podemos nos pautar:

a) escolhendo fazer o que achamos certo;

b) escolhendo fazer o que é popular, ou

c) escolhendo fazer o que é fácil, ou seja, o curso de ação que é mais fácil de executar logisticamente – isso pode significar fazer o que é popular às vezes, mas também pode significar recusar-se a agir, fechar os olhos, ficar quieto, etc., para evitar a situação.

A primeira opção, sempre fazendo o que é “certo”, nos  roubará a flexibilidade necessária para ter sucesso no mundo material. Precisamos falar a verdade o tempo todo? Precisamos mostrar nossa retidão moral o tempo todo? Há um ditado que resume perfeitamente os perigos dessa abordagem: árvores retas são as primeiras a serem cortadas na floresta.

A segunda opção, sempre fazendo o que é “popular”, nos roubará nossa própria paz e satisfação. Nós nos sentiríamos fracos e incapazes de afirmar nossa vontade neste mundo. Afinal, os princípios de integridade, honra e dever exigem que falemos muitas vezes contra a vontade popular.

A terceira opção, sempre fazendo o que é “fácil”, não satisfará nossa sede de retidão moral, nem o desejo de conquistar o afeto do povo, ou o próprio afeto à si mesmo.

Portanto, eu argumentaria que a melhor maneira de superar o dilema imposto pelas demandas conflitantes de nossos papéis é mudar nossa resposta ao paradigma acima – às vezes  fazendo o que é certo; às vezes fazendo o que é popular; e às vezes fazendo o que é fácil. Pois as consequências de estar nos extremos podem ser muito altas para suportar.