Aceitando

Há momentos na vida, onde tudo parece estar perfeito, maravilhoso, melhor que o sonhado. Muitos desses momentos têm continuidade e nos permitem experimentar esta sensação de alegria profunda e realização, outros não. Alguns desses momentos são subitamente interrompidos por causas inesperadas, fatos inusitados e circunstâncias inimagináveis.

Diante dessas situações, seja forte. O mundo é dos fortes, diria uma sábio amigo se estivesse ao meu lado agora. A verdadeira força reside nas capacidades de aceitação e de recomeçar.

Aceitação não é comodismo ou fuga. Aceitar é receber os fatos que não podemos alterar e encará-los como circunstâncias a serem vivenciadas.

Lembre-se de sua mortalidade

No final das contas, estamos todos indo para o mesmo lugar.

Sete palmos abaixo do solo com os vermes.

Deixando de lado as crenças religiosas, as únicas coisas que sabemos, sem sombra de dúvida, é que toda vida termina com a morte.

Então, por que agimos como se fosse viver para sempre?

Por que fingimos que não somos como todas as outras pessoas que vieram antes de nós?

Medite um pouco sobre a realidade de sua própria mortalidade e seu tempo limitado aqui na Terra.

Você irá morrer.

Eu vou morrer.

Todos que você ama e admira morrerão um dia. Em uma linha do tempo longa o bastante a taxa de sobrevivência de todos cairá para zero.

Se você é um homem morto de qualquer maneira … Então por que diabos você não deveria se arriscar e ir atrás de seus sonhos?

Quando nos apressamos em nossos dias, deixamos de notar a beleza simples de viver

Ao longo de nossas vidas, somos ensinados a valorizar a velocidade e fazer as coisas rapidamente. Aprendemos que fazer é mais valioso do que simplesmente ser, e que aproveitar ao máximo a vida é seguir em frente a passos rápidos.

No entanto, a medida que avançamos em busca de algum sentimento indescritível de realização, descobrimos que nos sentirmos cada vez mais atormentados e desconectados. Mais importante deixamos de notar a beleza simples de viver.

Quando aprendemos a desacelerar, redescobrimos o significado de aspectos aparentemente inconsequentes da vida. As refeições tornam-se celebrações meditativas de nutrição. Um trabalho bem executado se torna uma fonte de profundo prazer.

Em essência, nós nos damos o presente do tempo – tempo para satisfazer nossa curiosidade, para aproveitar o momento, para apreciar as maravilhas do mundo, para sentar e pensar, para nos conectarmos com os outros.

Uma vida saboreada lentamente não precisa ser passiva, ineficiente ou preguiçosa. Conduzir-nos em um ritmo mais lento nos permite ser seletivos na maneira como gastamos nosso tempo e valorizar plenamente cada momento que passa. A lentidão pode até ser uma vantagem em situações que parecem exigir pressa. Quando nos controlamos, mesmo que por alguns momentos, enquanto tratamos de “assuntos urgentes”, podemos nos concentrar antes de seguir em frente com nossos planos.

Abraçar a simplicidade nos permite eliminar gradualmente de nossas vidas os compromissos e atividades que não nos beneficiam de alguma forma. O tempo extra que consequentemente ganhamos pode parecer extensões vastas e vazias de potencial desperdiçado. Mas, à medida que aprendemos a diminuir o ritmo, logo percebemos que eliminar a rapidez desnecessária de nossas experiências nos permite preencher esse tempo de maneira construtiva, gratificante e agradável.

Você pode achar desafiador evitar a tentação de correr, especialmente se você se acostumou a um mundo de comunicação em frações de segundos, smartphones, caixa de e-mail lotada, agendas lotas, milhares de stories e status, boletos com péssimas datas para vencer. No entanto, a sensação de “realização continua” que você perde ao desacelerar será rapidamente substituída por uma sensação de magnifico contentamento. Seu ritmo relaxado abrirá sua mente e coração pra níveis mais profundos de consciência que o ajudarão a descobrir a verdadeira glória de estar vivo.

A encruzilhada das contradições

Eu sou um humano. Eu sou um homem. Eu sou filho. Eu sou irmão. Eu sou um amigo. Eu sou um estoico. Eu sou um hedonista. Às vezes sou religioso, às vezes ateu. Sou tudo isso e muito mais ao mesmo tempo.

Mas…

E se eu precisar cumprir os deveres e obrigações  de várias funções ao mesmo tempo? Não existem momentos em que estes papéis então em conflito um com o outro?

Às vezes, você simplesmente não pode atender às demandas de todos os papéis que desempenha. Haverá algumas escolhas difíceis a fazer, que arranham a pele de sua consciência.

Nessas ocasiões, acho que existem três maneiras pelas quais podemos nos pautar:

a) escolhendo fazer o que achamos certo;

b) escolhendo fazer o que é popular, ou

c) escolhendo fazer o que é fácil, ou seja, o curso de ação que é mais fácil de executar logisticamente – isso pode significar fazer o que é popular às vezes, mas também pode significar recusar-se a agir, fechar os olhos, ficar quieto, etc., para evitar a situação.

A primeira opção, sempre fazendo o que é “certo”, nos  roubará a flexibilidade necessária para ter sucesso no mundo material. Precisamos falar a verdade o tempo todo? Precisamos mostrar nossa retidão moral o tempo todo? Há um ditado que resume perfeitamente os perigos dessa abordagem: árvores retas são as primeiras a serem cortadas na floresta.

A segunda opção, sempre fazendo o que é “popular”, nos roubará nossa própria paz e satisfação. Nós nos sentiríamos fracos e incapazes de afirmar nossa vontade neste mundo. Afinal, os princípios de integridade, honra e dever exigem que falemos muitas vezes contra a vontade popular.

A terceira opção, sempre fazendo o que é “fácil”, não satisfará nossa sede de retidão moral, nem o desejo de conquistar o afeto do povo, ou o próprio afeto à si mesmo.

Portanto, eu argumentaria que a melhor maneira de superar o dilema imposto pelas demandas conflitantes de nossos papéis é mudar nossa resposta ao paradigma acima – às vezes  fazendo o que é certo; às vezes fazendo o que é popular; e às vezes fazendo o que é fácil. Pois as consequências de estar nos extremos podem ser muito altas para suportar.