Um guia racionalista para a religião

Se a religião fosse uma língua, toda minha vida eu lutei com a gramática dela. Eu tive dificuldade em conjugar algumas das crenças centrais sobre deus de modo que fizessem sentido para mim. Em muitos momentos optei pelo silêncio, diversas vezes evitando completamente o assunto.

Ainda assim, parte de mim ansiava/anseia por falar sobre isso – deus, fé, religião e o que são contradições aparentemente irreconciliáveis entre os três. Mas tenho optado cada vez mais por enfrentar esse receio.

Desenvolver uma espécie de mapa para mim sobre como falar sobre religião e, mais importante ainda, reconhecer padrões em como os outros falam sobre isso. Não estou aqui para argumentar certo ou errado, verdade ou falsidade, mas apenas aplico o princípio básico da empatia – quero ser capaz de explicar aos outros as origens da minha visão e compreender aqueles cujas visões são diferentes das minhas (devo salientar que estou cético quando ao sucesso dessa abordagem).

Comecemos com a premissa geral de que todas as pessoas têm direito às suas crenças, desde que essas crenças não favoreçam ações tangíveis que prejudiquem os outros. Eu deveria alertá-lo aqui que não sou um especialista em teologia, embora quem me conhece afirme que eu tenha dissecado muitos textos religiosos, isso é subjetivo. Vou desenhar a imagem de nossa conversa a partir de rotas de diálogos que tive com pessoas de múltiplos sistemas de crença, alguns muitos semelhantes e outros muito opostos. Tal mapeamento mental levou-me à inclinar-me para certos insights.

Primeiro, quero deixar de lado a argumentação de uma verdade absoluta – se deus existe ou não, em caso afirmativo, quem é ela ou ele ou o que ou quem – esbarrei em algo que chamo de “locum refrigérii”, que é o cerne de um sistema de crenças, é a ansiedade, a necessidade de reduzir a dissonância cognitiva, rejeitando certas evidências e aceitando outras. É a lógica que cada pessoa individual faz para si mesmo, para ajudar a si mesma a estruturar suas próprias crenças. Em alguns, essa lógica inclui argumentar uma verdade absoluta sobre todas as possibilidades.

Aqui estão os três locum refrigérii que eu encontrei (pode haver mais) onde a maioria das conversas sobre deus para mim tendem a acabar:

A primeira é uma visão determinista da vida. Basicamente, e estou simplificando demais aqui – deus tem um plano para todos nós. Os limites do que os seres humanos em nossa capacidade limitada podem conhecer não nos permite entender completamente o plano de deus. Todo sofrimento e adversidade fazem parte desse plano (estão permitidos) e tem um propósito. Dependendo de com quem você fala, essa visão é frequentemente associada à crença de que deus é simultaneamente bom e onipotente.

Embora esta visão seja atraente para muitos – eu mesmo estou completamente desconfortável com ela, por algumas razões:

a) Não há como provar se o sofrimento acontece por um motivo ou porque temos a necessidade de explicar (para reduzir a dissonância cognitiva) por que coisa ruins acontecem a pessoas boas. Independentemente disso, acho que é um pouco paternalista quando alguém me diz que o que eu estou passando tem um propósito diferente daquele que eu mesmo descobri ou possa especular atribuir. Em muitos  casos, o sofrimento é aleatório e não tem um propósito. Não há razão por que uma criança nasce em um ambiente de pobreza e enfrenta a morte pela fome e outra não.

b) Como não acredito que o sofrimento aconteça por uma razão, a onipotência e a bondade absoluta para mim se tornam uma falácia. Ser onipotente e não prevenir o sofrimento não é bom, e ser bom, mas não impedir o sofrimento nega a onipotência, pois deus ou quer e pode impedir os males, ou quer impedir os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer e nem pode;

A visão de que os humanos não podem entender o plano de deus é o que eu vejo frequentemente empregado como um argumento infalível/válido. Mas basicamente, é um tipo de lógica onde é impossível provar que se está errado. Freud, que era um escritor brilhante, argumentou em A Interpretação dos Sonhos que, se alguém não tem uma memória infantil traumática – como um Complexo de Édipo – é porque essa pessoa a reprimiu. Não há como argumentar contra esse argumento – ou você tem o complexo ou está reprimindo. A razão pela qual não gosto deste argumento é que eu não acho que progrida para questionamentos e para compreensões mais profundas. É uma barreira e não uma maneira de avançar o pensamento. Frequentemente, dizer que não entendemos o plano de deus é usado para eufemizar o fato observável de que o sofrimento acontece sem nenhuma razão aparente e com aleatoriedade.

O segundo local de conforto é aquele em que a fé é o relacionamento pessoal com deus . Muitas vezes leio os debates na seção de comentários sobre conflitos fundamentalistas, muitos dos quais ressoam algo assim: “Essas pessoas não são cristãs / muçulmanas verdadeiras, a Bíblia / Alcorão ensina claramente que matar é errado. O verdadeiro [insira o nome de uma religião aqui] é sobre o seu próprio relacionamento pessoal com deus.

Talvez eu goste dessa visão. Eu tenho muitos amigos próximos para quem esta é a base do seu sistema de valores. Mas, pensando melhor ainda estou insatisfeito, e aqui está o porquê:

a) Dizer que as ações de alguém em nome da religião devem ser desconsideradas, já que uma interpretação “verdadeira” dessa religião é um pouco parecida com dados de coleta seletiva. A religião tem sido um aspecto persistente da civilização humana durante séculos, muitas vezes a musa por trás de grande parte da arte, filosofia e moralidade na história humana. Muitos daqueles que fazem tremendos sacrifícios e fazem trabalho social para ajudar os menos afortunados deste mundo acreditam que estão fazendo o trabalho para/com deus. No entanto, a religião também pode ser um precipitante para a destruição. Guerras foram travadas em nome da religião que matou milhões de pessoas. E esse soldado, seja da Cruzada ou da Al-Qaeda, também acredita estar fazendo a obra de deus. E essa crença é igualmente intensa e pura em seu raciocínio como a freira que cuida de uma criança doente, apenas a expressão dessa crença é diferente.Se é a expressão em si que importa, então a crença em deus não tem valor inerente além da qualidade das ações que se manifestam a partir dessa crença.

b) Definir a fé de alguém como um relacionamento pessoal com Deus é, novamente, um argumento que busca considerar-se acima de verificação de falseabilidade – não pode ser desafiado ou questionado porque é somente entre esse indivíduo e deus, como nem você nem eu temos nenhum negócio lá. É uma posição confortável de se estar. Eu entendo o apelo dessa lógica, mas para mim eu acho um pouco insular.

Então isso me leva ao terceiro lugar do conforto. Há um lugar onde eu também me sinto confortável em minha própria fé – que é, antes, uma visão utilitarista da religião.

Isto é, o valor da fé de alguém é uma função onde f (x) = expressão daquela fé como julgada por aqueles que são impactados por aquela fé.

Em outras palavras, seja qual for o fundamento de sua fé – em deus, na humanidade, em si mesmo – é a expressão dessa fé sobre os outros que importa. O que faz de você uma boa pessoa é o impacto que sua fé tem como julgado pelos outros seres humanos que são tocados por ela.

Eu digo julgado por outros seres humanos, porque eu pessoalmente não gosto da expressão “ninguém, exceto deus pode me julgar.” Isso poderia ser bom se você vivesse em um mundo onde é só você e deus. Mas todos nós vivemos com outros seres humanos, então devemos contá-los em nossa matemática moral.

Além disso, compreender verdadeiramente o seu próprio impacto é um processo complicado – obriga-o a fazer continuamente perguntas e a desafiar os seus próprios motivos, faz com que tenha empatia. Pede que você enfrente o melhor e o pior dentro de si mesmo. Chekov escreveu uma vez que “o homem se tornará melhor quando você mostrar a ele o que ele realmente é”. Eu acho que isso é maravilhoso.

Quando eu examino minha própria fé – e a minha vem da humanidade, caso você esteja se perguntando – eu uso alguns truques para me manter no caminho de me tornar a pessoa que eu gostaria de ser.

a) Faça perguntas. Desafie suas próprias respostas. Isso não significa não ter uma opinião, significa reconhecer que a maioria das opiniões são apenas alvos em movimento para praticar a reflexão. Você notará que os que você atingiu consistentemente acabam se tornando valores fundamentais. Se eu tivesse filhos, perguntaria à eles as perguntas que fizeram na escola, e não apenas o que aprenderam. Curiosidade é o que lentamente empurra os limites do conhecimento humano, seja sobre o universo ou sobre nós mesmos. Enquanto você estiver curioso poderá encontrar possibilidades.

b) Nunca pare de melhorar sua autoconsciência.Aprenda a pensar os melhores e piores pensamentos sobre si mesmos. Entenda a ampla gama de quem você pode ser. Os seres humanos são criaturas extraordinariamente complexas – e tenho visto em mim mesmo inseguranças, segundas intenções, tendências manipuladoras e astúcia geral, tanto quanto me surpreendi em consideração, gentileza, gratidão. A autoconsciência é o que me mantém humilde e me dá empatia.

Quanto mais eu posso entender o meu próprio impacto sobre os outros e ver isso de seus olhos, mais vejo como é difícil ser uma boa pessoa. Isso me permite ser mais autêntico às minhas próprias imperfeições.

Eu não acredito em um poder mais alto do que muitos ao meu redor, e acredito que algumas coisas são mais prováveis ​​do que outras (como a evolução versus o criacionismo, por exemplo). Eu acredito que os humanos são feitos da mesma coisa que as estrelas, o que é muito legal se você pensar nisso. Eu gosto de ciência porque, como disciplina, continua a tentar desmentir sua própria verdade e reconhece o que não sabe. Eu gosto de disciplinas onde é costume levantar uma sobrancelha e questionar.


Além do que se ganha em compreensão, conhecimento de si e dos outros por intermédio das grandes obras da tradição, é preciso saber que elas podem simplesmente ajudar a viver melhor e mais livremente […] Aprender a viver, aprender a não mais temer em vão as diferentes faces da morte, ou, simplesmente superar a banalidade da vida cotidiana, o tédio, o tempo que passa, já era o principal objetivo das escolas da Antiguidade Grega. A mensagem delas merecer ser ouvida, pois, diferentemente do que acontece na história da ciência, as filosofias do passado ainda nos falam.

Luc Ferry, Aprender a viver: filosofia para os novos tempos, pag. 16-17. Editora Objetiva.

O problema com a ideologia

Na cultura de hoje, “todo mundo” está se agarrando a algum tipo de grupo ideológico para se identificar. Um grupo, uma ideologia… republicana, democrata, libertária, feminista, humanista, niilista, socialista, comunista, marxista, anarquista, vegana, cristã, ateísta, e a lista continua.

Agora, não é necessariamente ruim se identificar com um grupo ou ideologia, é da nossa natureza humana se identificar com grupos. Essa identificação que formulamos nos ajuda a entender nosso mundo e nosso significado nele. Mas talvez devêssemos recuar só um pouquinho e considerar a possível toxicidade de seguir ferrenhamente uma ideologia, estreitar a porta de entrada em nossa mente para novas informações e depois ficarmos suscetíveis de sermos manipulados pelos agentes influenciadores dessas ideologias.

Acho que foi Krishnamurti que disse:

Quando você se considera indiano, muçulmano, cristão, europeu, americano, latino-americano, ou qualquer outra coisa, está sendo violento. Você vê por que é violento? Porque você está se separando do resto da humanidade. Quando você se separa pela crença, pela nacionalidade, pela tradição, isso gera violência. Portanto, um homem que está procurando viver em paz não pertence a nenhum país, religião, partido político; ele está preocupado com a total compreensão da humanidade.

Os grupos ideológicos com os quis orgulhosamente nos alinhamos são os que frequentemente nos tiram de um estado de paz. E quando os indivíduos estão fora de um estado de paz, a sociedade também está fora de um estado de paz e inevitavelmente temos violência (em variadas formas e nuances).

E você sabe o que é fascinante… todos esses vários grupos ideológicos que inevitavelmente acabam colidindo? Todos eles proclamam ter um alto nível moral, são justificados e acreditam que estão enfrentando algo ruim. Assim, acreditando que seu grupo está certo e o outro errado, você traçou sua própria linha na areia para justificar a agressão.

Sua ideologia

Mas o que nos faz identificar com uma ideologia tão fortemente? Onde isso nos leva ao desejo de lutar, discutir com outros sobre supostas ideologias opostas?

Gostamos da sensação de nossa agressão sendo aplaudida como justificada. Uma reação que transborda em um sentimento de superioridade moral.

Mas o que une esses grupos? Está em ter perspectivas semelhantes? Ou eles têm respostas emocionais semelhantes às coisas que a sociedade enfrenta? As pessoas que se identificam com certas ideologias se identificam com a indignação – a justiça moral – dessa ideologia.

Libertários: indignados com a coerção e os abusos pelas mãos do governo.

Feministas: indignadas com a opressão das mulheres pelos homens.

Nacionalistas: indignados com a entrada de imigrantes em seu grupo identificável – nesse caso – o país em que nasceram.

Socialistas: indignados com o capitalismo que oprime a classe trabalhadora.

Meta-indignados: indignados com as pessoas que ficam indignados com o tudo o que se opõe à sua ideologia.

(provavelmente esqueci uns mil grupos aqui)

O que todos eles têm em comum além da indignação? Bem, todos apontam sua indignação, agressão e retidão moral para ideologias percebidas como opostas.

Sua identidade

Uma vez que entramos em um grupo, proclamando nossa lealdade, nossa ideologia se torna parte de nossa identidade. E, infelizmente, uma de nossas mentes, muitos atalhos mentais, nos leva a criar separações simplistas demais de vários pontos de vista. Reduzimos a complexidade de vários pontos de vista, ideologias e grupos em resumos simplificados e digeríveis (talvez eu esteja fazendo isso agora mesmo). Isso então nos leva a suposições imprecisas do certo e do errado, nós contra eles e do bem e do mal.

Veja bem, grande parte de nossa agressão, raiva e retidão moral decorre de uma narrativa imprecisa que criamos para proteger nossa identidade. Uma vez que estamos nesses grupos, procuramos histórias e informações que se encaixam em nossa narrativa preconcebida. Além disso, nos torna mais aptos a descartar evidências opostas que vão contra a identidade que criamos. Tornado-nos mais facilmente enganados e mais propensos a espalhar informações destorcidas e falsas.

Precisamos parar de nos separar com base em agrupamentos arbitrários. Devemos entender que estamos nessa realidade juntos, em um planeta, entre muitas criaturas vivas, e somos um grupo humano.

Lembre-se de que as pessoas a quem nossas narrativas parecem se opor têm suas próprias histórias de vida, narrativas, ambiente e educação que as trouxeram à sua forma atual. Embora uma parte de nós provavelmente sempre seja tribal, precisamos aprender que as identidades que possuímos não são imutáveis. Precisamos transformar a inequação em uma equação, competição e cooperação. Nossa espécie humana evolui para cooperar, a conquista social da terra, está dentro de nossa capacidade transformar todos contra eles em todos contra ninguém.

Deixar de lado nossas diferenças seria um maravilhoso milagre que traz a paz mundial. Mas não estou dizendo que é possível deixar todas as diferenças de lado. Também não é realista deixar de lado nossos vários agrupamentos de política, nacionalidades e religiões.

O ponto é que temos uma escolha a fazer. Questionaremos os grupos aos quais “juramos lealdade”, mesmo que isso signifique questionar nossa identidade? Questionaremos a autoridade que concedemos aos grupos? Consideramos cuidadosamente as oposições? E deveríamos considerar as complexidades das identidades proclamadas de nossos semelhantes?

Os rótulos, narrativas que criamos são histórias de ficção criada por nós. Um grupo é inegável – somos humanos. É algo que compartilhamos e devemos lembrar.

Amores condicionais e o fardo masculino

Nuca seja dependente de uma mulher, nem pelo amor dela, nem pela catarse emocional auto-indulgente, porque as mulheres não nos amam da maneira como nós as amamos, elas amam de forma diferente e, portanto, esperar dela o que ela espera de você irá condená-lo ao fracasso.

As mulheres falham fundamentalmente em retribuir o amor na medida em que nos ensinaram ou, pelo menos, tendemos a esperar delas. Assim que qualquer uma das suas fraquezas for tornada abundantemente clara, ela começará a se sentir desencantada e isso fará com que ela inicie um processo de ponderação de sua opções para que, quando/se a oportunidade se apresentar, mudar de direção (troque você por um homem que ela julgue mais adequado), ela realmente o fará com grande pressa.

O abandono do seu relacionamento será “racionalizado”, se ela realmente tiver sentimentos por você, ela até se iludira/se convencerá a acreditar em sua própria racionalização incoerente e falha (uma mentira imprecisa, mas conveniente), a fim de retratar de forma mais favorável à sua própria consciência. Mulheres são ótimas em salvar aparências e melhor ainda, acreditar sinceramente em suas próprias besteiras.

A maioria dos homens são os bodes expiatórios perfeitos, porque eles nunca vêem isso chegando e não sabem como se defender contra tais enganos, então ela evita qualquer sentimento de culpa e, portanto, é completamente livre para se comportar e traçar estratégias da maneira que quiser, não importa o quão imoral isso possa ser. As mulheres (predominantemente) não são obrigadas pela honra – é uma abstração masculina.

Na verdade, muitos de vocês subestimam totalmente o poder do feminino e o fascínio da submissa e, portanto, não conseguem entender o controle inerente e a influência que tais dispositivos agradáveis ​​têm sobre sua virilidade.

Os homens adoram jogar esse jogo de se convencer de que estão no controle de seu relacionamento com uma mulher, quando na verdade estão caindo lentamente em sua garras, suavemente, como uma mão aparentemente inócua apertando lentamente em volta do pescoço. Isso muito provavelmente não acontece com “fornicadores profissionais”, oh não, os homens que seguem essa estratégia de acasalamento não investem em uma mulher por tempo suficiente para formar um vínculo de casal e deixar a mulher infectar seu senso de identidade com as suas artimanhas femininas, no entanto, aqueles de vocês em um relacionamento de longo prazo (ou querem começar um), vocês estão lutando uma batalha contínua, uma batalha que você nunca pode vencer, uma batalha que você deve simplesmente lutar para não perder.

Você mantém a guerra e busca para que ela se equilibre a seu favor, porém a vitória é proibida, pois vencer a batalha significa perder “seu amor”, o amor é metafisicamente um estado de conflito consistente, períodos de paz seguidos de períodos de guerra por dias, horas, semanas – sem conflito, não há amor, sem conflito há tédio, sem paixão – dar à atração um veículo para se manifestar por meio da tensão do conflito. A beleza está no próprio jogo, não no resultado do jogo . Se você não gosta do jogo, não pode assumir a liderança nele.

Ela sempre se colocará antes de você, em última análise, como o resultado final. Você não é especial para ela, sua força é, como você a faz se sentir – mas você não – você é uma recipiente para satisfazer seus desejos das muitas maneiras que ela não pode, e, ah, ela tem muitos desejos, mais do que os de um homem que, em comparação , parece bastante básico em necessidade, comida na mesa, estética agradável e um boquete antes de adormecer.

Ela vai permitir que você se cure emocionalmente através do processo de catarse e você não terá repulsa por isso, você sentirá que é seu dever consertar os problemas emocionais dela, assim como ela, este é um acordo tácito, porém o contrário não é verdade, você não tem uma saída para utilizá-la dessa forma e ainda manter a atração e, por extensão, um relacionamento funcional e gratificante. É por isso que não existe “igualdade de gênero”, pois tais demonstrações de fraqueza não farão nada a não ser que ela o veja com desprezo e, em última instância, desdém, até ódio.

Isso é o que queremos dizer quando dizemos que as mulheres não amam você, mas a ideia do que ou quem “você” é. Elas são incapazes de amá-lo da maneira como você o imagina. Eles amam a si mesmos principalmente, não importa o quão inseguras e inseguras sejam, e, claro, seus filhos, mais do que jamais amarão você, um é o amor à vaidade e ao direito, o outro é de sacrifício, a lealdade e o sacrifício que os homens idolatram como traços admiráveis ​​em uma mulher para um relacionamento de longo prazo – essas são coisas que, quando chega a hora, resultarão em sua queda e já resultaram na queda de incontáveis ​​homens. Mesmo que pensem que te amam e declarem isso, não é da maneira como você ama uma mulher de seus afetos – ela não vai sacrificar seu bem-estar por você, nem mesmo por lealdade – você deseja essa retribuição dela, mas é ingênuo fazê-lo.

Elas podem dizer que seu amor é incondicional e ironicamente, talvez seja “no momento”, é por isso que é seguro afirmar que as mulheres parecem um tanto completamente iludidas, sendo criaturas incrivelmente pouco introspectivas que carecem de muita clareza mental e autoconsciência , apesar de sua própria incapacidade de perceber que eles consideram você (homem) como garantido e “te amam”, eles o fazem com uma tonelada de condições complicadas anexadas ao dito “amor”. Em comparação com a ideia masculina de amor, ela defende a palavra em vão, mesma palavra, mesma entrega, significado diferente. “Até que a morte nos separe?” Tais declarações constantemente cantadas nas igrejas em todos os lugares são feitas em completa ignorância, pois são baseadas em um fundamento infundado e ingênuo.

As mulheres adoram ” a ideia ” a ideia de “o que é ser um homem”, por isso sua constante obsessão com a falácia do escocês “um homem de verdade faz isso “. A medida de um homem é mais importante do que a medida de uma mulher porque essencialmente, como homens, definimos as extremidades, os limites das espécies – a última linha de defesa e a vanguarda da inovação como construtores de civilizações, protetores, mantenedores e árbitros.

As mulheres são atraídas pelo poder, a fraqueza não é permitida aos poderosos – esse é o fardo para ser poderoso, a advertência para o poder – como efeito colateral do fardo, o peso do poder que se exerce. Incorpore essa ideia de superioridade e mantenha-a dentro de seu caráter por toda a vida e isso é o mais perto que você chegará de ser amado.

Os homens também amam condicionalmente , mas os homens não compilam listas curriculares para o que torna a mulher ideal, as mulheres, no entanto, escrevem livros sobre o que torna um homem e como um homem deve se comportar. Quanto mais longa a lista de requisitos que a mulher em questão tem, mais manutenção precisa ser feita para manter um “estado de amor” por ela. Caramba, a sociedade dominante chama muitas mulheres de “alta manutenção” por uma razão, elas simplesmente não vão além dos elementos materialistas ao analisar este conceito.

Isso é uma parte de como homens e mulheres amam de maneira diferente, as mulheres são extratoras, seu imperativo é extrair de você (tempo, dinheiro, DNA, emoções, lógica, sacrifício) e, em última análise, eles irão utilizá-lo para seus próprios ganhos, seja através de métodos estimulantes (sexo, submissão, gentileza, flerte) ou medo (não vou ver as crianças novamente, fará uma reclamação de estupro fraudulenta, tomará metade de seus bens em divórcio, fará com que você crie dependência dela e então o abandone etc. )

Aqueles que pensam que relacionamentos não são guerra são simplesmente ingênuos.

Elas (mulheres) são tiranas do caralho (para um homem lidar) devido a uma ausência implacável e caprichosa de lógica. As menos inteligentes entre as mulheres nem mesmo percebem o quão destrutiva sua instabilidade e o utilitarismo impetuoso do homem são para todos, exceto o mais forte dos homens, pois eles correm principalmente no instinto, uma ausência de razão ou indiscutivelmente preferência pela razão leva a nada além do instinto de tomar segurar, muitas vezes descrito coloquialmente como “Como me sinto”.

Isso é algo que os homens perceberam por milhares de anos, vá e leia alguma filosofia antiga ou mesmo medieval e procure provérbios, citações e artigos sobre a natureza das mulheres, é algo tão antigo quanto o próprio tempo – Aristóteles , Friedrich Nietzsche e Arthur Schopenhauer …

Há muitos níveis na toca do coelho e fica cada vez mais profundo conforme você avança. Cada vez que você desce ao poço da realidade, você se lembra de todo o seu aprendizado anterior, eviscerando todas as delicadas sensibilidades que adquiriu em suas buscas de idealização utópica ao longo do caminho.

Aqueles de vocês ainda estão perto do início de sua compreensão, medindo o sucesso por entalhes na cabeceira da cama… A vitória de Pirro pode ter gosto de vitória, mas não é vitória. Se essa for sua estratégia de acasalamento permanente (como em, você não vai passar adiante sua linhagem), então tudo bem – mas se você quiser uma família, não é o suficiente, você precisa aprender um jogo de relacionamento de longo prazo para criar filhos.

Os homens são os verdadeiros românticos da humanidade e é por isso que o homem deve guardar seu coração como um cofre de banco, tratar seu compromisso como diamantes de sangue africanos, esbanjá-lo levianamente é prestar um péssimo serviço a si mesmo. Sem nenhum custo, você deve se permitir perder, o resultado final em todos os elementos da vida é VITÓRIA ou FRACASSO , os relacionamentos não são exceção, apesar do sequestro de clareza de sua mente que a oxitocina induz em sua psique.

Em última análise, não permita que seu senso de injustiça se transforme em ódio pelas mulheres, pois sua incapacidade de retribuir o amor sacrificial por um homem é uma limitação imposta pela natureza, não uma escolha, algumas raras mulheres podem até tentar se opor à sua natureza, embora isso também seja fútil.

Odiar é induzir a si mesmo a tortura e a miséria – coisas que, como alguém que compete pelo poder, são dispositivos que você não pode permitir que o possuam, pois irão separá-lo de suas ambições. Perceba as limitações do gênero feminino, aceite-as e aceite o fato de que um homem está sempre realmente sozinho.

Não há ninguém “superior” para você depender, você é o fim da linha, na ausência de um Crença em deus. É por isso que somos tão sentimentais com nossas memórias e quanto mais velho e experiente o bastardo, mais sentimental ele será, abrigando o que é essencialmente uma câmara de momentos onde ele não se sentia tão só, que uma parte de sua fibra não importa o quão estoica e disciplinada sua consciência possa ser, involuntária e vicariamente buscará conforto nos tempos mais sombrios.

Essas memórias entram pela retina e pelo canal auditivo, passam algum tempo no cérebro e depois continuam a pesar no coração lentamente em medições variadas de peso até o último suspiro. As feridas cicatrizam, mas as cicatrizes são eternas. Todo homem tem um fardo que deve carregar, nenhum de vocês está isento, nem mesmo o psicopata, pois mesmo um psicopata tem seus próprios sentimentos para enfrentar, independentemente de se importar com os seus.

Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças

Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças é um filme estadunidense de 2004, do gênero de comédia dramática, romance e ficção científica, dirigido por Michel Gondry e com roteiro escrito por Charlie Kaufman. É protagonizado por Jim Carrey e Kate Winslet.

Conta a história de um casal que só vê o lado ruim de seu relacionamento.

Clementine/(Kate Winslet) desiludida com o fracasso da relação, Clementine decide esquecer Joel para sempre e, para tanto, aceita se submeter a um tratamento experimental, que retira de sua memória os momentos vividos com ele.

Após saber da atitude de Clementine, Joel entra em um estado melancólico, frustrado por ainda estar apaixonado por alguém que quer esquecê-lo.

Decidido a superar a questão, Joel também se submete ao tratamento experimental. Porém ele acaba desistindo de tentar esquecê-la…


O filme utiliza elementos de ficção científica, suspense psicológico, e uma narrativa não linear para explorar a natureza da memória e do amor romântico. O filme é aberto a várias interpretações; no entanto, o seu tema principal é a memória, o passado e sua função para formamos o conceito de identidade.

O conceito de identidade

Um dos conceitos abordados no filme é conceito de identidade, conceito este que não é claramente explicado ou definido. Os próprios psicólogos não apontam condições exatas sob as quais a identidade é formada, apenas que temos personalidade para tomar nossas próprias decisões.

Isso significa que nossas decisões nos definem como indivíduos?

Talvez parcialmente, mas a identidade pessoal é estabelecida ao longo da vida, de experiências e conflitos.

Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças confronta o complexo conceito humano que criamos em nossas mentes: identidade pessoal.

Se eu lhe perguntasse sobre a sua memória de infância mais sublime, preciosa e comovente, o que viria à sua mente?
Se eu lhe perguntasse sobre o motivo de sua maior e mais profunda angústia e desespero?

Seja o que for, traz de volta a sensação de nostalgia, aquele desejo sentimental e pueril de uma dia passado ou Aquele dia em que nada seria capaz de florescer.

Essa memória é apenas uma dentre muitas – por mais enterradas, por mais maravilhosas e por mais sombrias – que ocupam uma quantidade crítica de espaço em sua mente e se juntam no mosaico da sua identidade pessoal. Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças descreve a ideia de que uma grande quantidade de identidade é derivada de dentro de nossa memória.

Depois de apagar suas memórias de Clementine, Joel está longe ser o mesmo homem retratado no caso de seu primeiro encontro. Ele parece desamparado, meio perdido; Tirando as experiências que ele tinha na memória, Joel também destruiu uma parte de si mesmo.

Clementine não se saiu melhor, ficando assustada e perdida, enquanto ela era forte, independente e selvagem antes de apagar Joel da memória. Ela também sentiu como se uma parte tivesse desaparecido.

Como nossas memórias desempenham um papel tão importante na formação de nossa identidade?

Para Joel e Clementine, limpar suas memórias um do outro teve um efeito profundo. Uma indicação importante dessa mudança ocorre quando Joel não se lembra da música “My Darling Clementine”, que ele havia cantando na primeira vez em que a conheceu como uma forma de paquerar, mas no segundo primeiro encontro ele nem conhece as palavras. Esse ponto da trama indica que as memórias uma do outro não foram tudo o que foi perdido. Uma música que sua mãe lhe ensinara quando criança também se fora e com essa lembrança o sentimento de segurança fornecido neste evento.

Continuando

O filme continua a se aprofundar na ideia de identificar as formas de memória, retratando Clementine da perspectiva de Joel e suas experiências percebidas com ela.

Vemos Clementine tomar forma através de Joel, primeiro como uma mulher estranha e obscura que ele conheceu em uma viagem espontânea a Montauk, e conforme suas memórias fluem, começamos a ver a mulher amorosa, forte, independente e impulsiva que compartilhava suas fraquezas e preocupações internas.

Vemos todos os aspectos que compõem Clementine, desde a mudança de cabelo até a mudança de humor. Vemos nela tudo o que Joel já viu; às vezes louca e divertida, outras amável, inteligente, com muitas ideias sobre o mundo. Ela podia ser absolutamente mesquinha e ranzinza e outras vezes completamente maravilhosa.

Foi-nos mostrado o desenvolvimento da relação, bem como o surgimento de características cada vez mais agravantes em Clementine.

A história passa a nos mostrar o fim do relacionamento de um casal derrotado e exausto que não aguentava mais um ao outro, e então vimos como eles chegaram a esse ponto.

Vimos o núcleo de quem Clementine era e, à medida que cada camada das memórias se retraía, vimos como Joel também havia mudado ao longo do relacionamento.

Os relacionamentos sempre progridem até o ponto em que você lida com as peculiaridades um do outro ou não suporta uma coisa que o outro faz. Também podemos manipular facilmente nossas memórias, como mostrado por Joel tentando esconder Clementine em outro lugares de sua mente.

E, portanto, é possível que a representação mais antiga de Clementine seja mais precisa em geral, ou talvez as últimas memórias de Clementine não sejam exageradas ou distorcidas pela memória de Joel, enquanto ele lida com a dor do relacionamento em ruínas.

Contraste

Os seres humanos não amam, não sem uma ampla gama de expectativas. Em vez de ver o “nosso amor” como a pessoa que poderia dar consistência e destacar certas nuances ao nosso ser, o ente querido é simplesmente subordinado ao nosso desejo de perfeição.

No momento em que o relacionamento está progredindo e outro não está mais em conformidade com a imagem idealizada que construímos no início da manhã do amor, nos sentimos frustrados e, às vezes, pensamos em encerrar o relacionamento para continuar nossa busca pela “alma gêmea perfeita”.

Muitas vezes esquecemos como os seres humanos são feitos o que é considerado um “defeito”, que pode ser um traço de personalidade que o diferencia de seus companheiros. É isso que Joel percebe ao passar pelo processo de apagar sua memória: são as idiossincrasias de Clementine que ele gostava, sua espontaneidade, sua impulsividade, sua loquacidade, enfim, as características de sua personalidade contrastam com as dele.

E é essa oposição entre as duas personalidades que leva primeiro ao atrito entre o casal e depois à ruptura, mas essa oposição também os levou a ficarem juntos.


Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças mostra-nos que a identidade pessoal de uma pessoa não pode ser completamente despojada ou copiada por outra; cada pessoa é “insubstituível”. Patrick tenta roubar a identidade de Joel para ganhar o carinho de Clementine. Mas, no final das contas, ele falha porque, embora tivesse as palavras e ações de Joel, Patrick não poderia ter os pensamentos, a aparência ou a verdadeira identidade de Joel. Ela se apaixona novamente pela verdadeira versão de Joel e não por  Patrick, porque a identidade mais importante que contemos está dentro de nós.

No geral, acredito que o maior atrativo deste filme é que você não poder ficar sem feridas. Para destruir o que você conheceu, não importa a dor, é de onde viemos. Pouco a pouco somos moldados, formados, vencidos por nossas experiências. Não passa um dia em que alguém não diga que daria tudo para esquecer aquele momento angustiante, para esquecer alguém que nos prejudicou ou para esquecer aspectos importantes que perdemos. Essas declarações são atos de desespero, e esquecemos o bem que está por baixo. Pensamos que há felicidade no esquecimento, porque a ignorância é uma benção. Você teria uma mente livre de fracassos, desprezo, traumas, misérias. No entanto, é quando esquecemos que estamos mais perdidos. Nós deixamos de ser nós mesmos.


“Nesta profunda solidão e terrível cela,
Onde a contemplação celestial do pensamento habita,
E sempre reina a meditação melancólica;
Que significa esta agitação nas veias de uma virgem?
Por que meus pensamentos se aventuram além do último retiro?
Por que sente meu coração este amplo e esquecido calor?
Ainda, ainda eu amo! De Abelardo veio,
E Eloisa ainda deve beijar seu nome.

Querido fatal nome! Restos nunca confessados,
Nunca passarão estes lábios no sagrado silêncio selado.
Ocultá-lo, meu coração, dentro desse disfarce fechado,
Quando se funde com Deus, sua falsa idéia amada:
Ó mesmo não o escrevendo, minha mão – o nome aparece
Logo escrito – a purificação acabo com minhas lágrimas!
Em vão a perdida Eloisa chora e reza,
Seu coração ainda manda, e a mão obedece.

Inexoráveis paredes! cuja obscura ronda contém
Arrependidos suspiros, e amarguras voluntárias:
Vós rochas fortes! Que santos joelhos desgastaram;
Vós grutas e cavernas inalcançáveis com horrível espinhas
Santuários! onde as virgens mantiveram seus pálidos olhos,
E a tristeza dos santos, cujas estátuas aprenderam a chorar!
Embora frio como você, imóvel, em silêncio crescente,
Eu ainda não esqueci-me como pedra.

Nem tudo está no céu enquanto Abelardo tem parte,
Ainda a natureza rebelde mantém a metade de meu coração;
Nem a oração nem os jejuns acalmaram seus impulsos persistentes,
Nem as lágrimas, ou a idade, o ensinaram a fluir em vão.

(…)

Como é imensa a felicidade da virgem sem culpa.
Esquecendo o mundo, e pelo mundo sendo esquecida.
Brilho eterno de uma mente sem lembranças!
Cada prece é aceita, e cada desejo realizado;
Trabalho e descanso mantidos em iguais períodos;
Obedientes sonhos dos quais podemos acordar e chorar;
Calmos desejos, afetos sempre furiosos.
Deliciosas lágrimas, e suspiros que bóiam no paraíso.
Graça que brilha a seu arredor com raios serenos.
O murmúrio dos anjos arrulha seus sonhos dourados.
Por sua eterna rosa que floresceu no Éden.
E as asas dos serafins derramam perfumes divinos,
Para ela, o esposo prepara o anel nupcial,
Para ela as brancas virgens cantam a canção da boda,
E ao som das harpas celestiais ela morre
E se desfaz em visões do dia eterno.

(…)

– Alexander Poper


O blefe da Justiça

A justiça é talvez o ideal mais exaltado da sociedade humana. A falta dela não é apenas a fonte de muitos problemas no mundo, mas também uma causa de raiva persistente e ressentimento dentro de nós.

Nós nos sentimos como se tivéssemos direito à justiça. Mas não temos direito divino à justiça. De fato, não ha nada do tipo no mundo natural.

A natureza não é projetada para ser justa. Está repleta de exemplos de crueldade. Pode-se argumentar que estes incidentes são atribuições à existência de uma cadeia alimentar. No entanto, apontar para esta cadeia alimentar serve apenas para reforçar esta ideia de natureza injusta, pois a representação dos fracos como uma presa é contra nossa própria ideia de justiça.

A verdade fria é que não há justiça no mundo. É um conceito social projetado para manter a ordem na sociedade. A justiça é uma quimera e ferramenta humana – essencial para a operação ordenada da vida em nossas sociedades. Mas não há direito natural à justiça.

Se a justiça estivesse embutida na natureza, como um componente essencial, o mundo não operária a justiçá matematicamente? Inserir um comportamento = saída de um comportamento específico em retorno? Mas compare isso com o que realmente acontece na vida real.

Na vida real, a gentileza nem sempre produz bondade, ou seja, não funciona como, por exemplo, a lei da gravidade. Não há garantias. Por que não há garantias? Porque a resposta depende apenas dos caprichos fantasiosos humanos.

A justiça funciona maravilhosamente como conceito, na religião ainda mais. Por isso promete segurança em mundo cruel. Algumas religiões confiam na “vida após a morte” como uma garantia de justiça. Infelizmente, a ideia de “vida após a morte” é outro conceito criado para explicar o inexplicável. Ao outorgar a entrega da justiça para uma vida após a morte, procura-se manter a ilusão de justiça na mente das pessoas.

Deixe-me terminar com isso – nós humanos, como espécie, somos grandes contadores de histórias. Acreditamos e vivemos várias histórias e ideias. Como Yuval Noah Harari colocou, “Você  nunca poderia convencer um macaco a lhe dar uma banana prometendo-lhe bananas sem limites após a morte no paraíso dos macacos”. Mas você pode convencer um humano a seguir um conjunto de normas e valores comportamentais em troca da promessa de um paraíso perfeito.

Essa história da justiça claramente não é uma história que se possa seguir logicamente, e é precisamente por isso que a realização da justiça definitiva é colocada fora do nosso alcance em um vida separada e um mundo separado, não verificado e inverificável.

A encruzilhada das contradições

Eu sou um humano. Eu sou um homem. Eu sou filho. Eu sou irmão. Eu sou um amigo. Eu sou um estoico. Eu sou um hedonista. Às vezes sou religioso, às vezes ateu. Sou tudo isso e muito mais ao mesmo tempo.

Mas…

E se eu precisar cumprir os deveres e obrigações  de várias funções ao mesmo tempo? Não existem momentos em que estes papéis então em conflito um com o outro?

Às vezes, você simplesmente não pode atender às demandas de todos os papéis que desempenha. Haverá algumas escolhas difíceis a fazer, que arranham a pele de sua consciência.

Nessas ocasiões, acho que existem três maneiras pelas quais podemos nos pautar:

a) escolhendo fazer o que achamos certo;

b) escolhendo fazer o que é popular, ou

c) escolhendo fazer o que é fácil, ou seja, o curso de ação que é mais fácil de executar logisticamente – isso pode significar fazer o que é popular às vezes, mas também pode significar recusar-se a agir, fechar os olhos, ficar quieto, etc., para evitar a situação.

A primeira opção, sempre fazendo o que é “certo”, nos  roubará a flexibilidade necessária para ter sucesso no mundo material. Precisamos falar a verdade o tempo todo? Precisamos mostrar nossa retidão moral o tempo todo? Há um ditado que resume perfeitamente os perigos dessa abordagem: árvores retas são as primeiras a serem cortadas na floresta.

A segunda opção, sempre fazendo o que é “popular”, nos roubará nossa própria paz e satisfação. Nós nos sentiríamos fracos e incapazes de afirmar nossa vontade neste mundo. Afinal, os princípios de integridade, honra e dever exigem que falemos muitas vezes contra a vontade popular.

A terceira opção, sempre fazendo o que é “fácil”, não satisfará nossa sede de retidão moral, nem o desejo de conquistar o afeto do povo, ou o próprio afeto à si mesmo.

Portanto, eu argumentaria que a melhor maneira de superar o dilema imposto pelas demandas conflitantes de nossos papéis é mudar nossa resposta ao paradigma acima – às vezes  fazendo o que é certo; às vezes fazendo o que é popular; e às vezes fazendo o que é fácil. Pois as consequências de estar nos extremos podem ser muito altas para suportar.