O poder das transições – não se apresse pela vida

“A vida é agradável. A morte pacífica. É a transição que é problemática” Isaac Asimov

As transições moldam quem somos – elas criam oportunidades para um crescimento profundo.

Separar meninos de suas famílias é um ritual de passagem para a vida em muitas comunidades africanas.

As crianças passam por um árduo processo de enfrentamento dos elementos da natureza por conta própria. O ritual geralmente envolve passar algumas noites sozinho na floresta ou matar sua primeira grande caça.

Infelizmente, nossa sociedade subestima o poder das transições – queremos um resultado melhor sem o sofrimento da passagem.

Queremos transformações, mas sem passar pelo dor da metamorfose. Adoramos o prazer da vida, mas não o caos.

Provavelmente você não precisa matar um grande caça ou passar por ritual cruel de passagem. Transições diárias também podem transformar você.

Temos a ideia de transformação totalmente errada. Procuramos o caminho mais rápido para obter um resultado, mas subestimamos o valor da própria transição.

A verdadeira transformação acontece ao longo da jornada – não no final.

Ritos de passagem são experiências que nos ajudam a passar de um estágio para outro. Abandonamos nosso status atual para nos tornarmos outro coisa.

Aprecie o espaço entre momentos. Viva o presente da auto-compreensão. Encontre seu lugar na transição.

A Liminaridade é um espaço entres dois estados definidos. A ideia de liminaridade é foi introduzida por Arnold Van Gennep em sem seu livro Os Ritos de Passagem.

O antropólogo descreveu como cada ritual de passagem – como rituais de maioridade e casamento – tem uma estrutura de três partes: separação, liminaridade e reassimilação.

Separação significa abrir mão de sua identidade passada. Você abre mão de seus status atual. E prepara-se para mudar da familiaridade para a incerteza.

A fase de liminaridade é a transição. Você deve navegar por águas desconfortáveis e inexploradas.

A Reassimilação marca o fim da jornada. Esta última fase é caracterizada pela celebração. Você foi transformado e agora pode entrar novamente no mundo com um novo status.

As fases inicial e final são mais pacíficas e agradáveis. Mas, o estágio de liminaridade é cheio de incertezas. É por isso que queremos nos apressar – odiamos o caos.

Liminaridade é a qualidade da ambiguidade ou desorientação que ocorre nos estágio intermediário dos rituais. É o processo de transformação.

Abra espaço para nova energia, sabedoria. Navegue pelas transições com a mente aberta. Use a incerteza como uma oportunidade de crescimento.

Liminaridade

Os processos transformacionais não plenamente racionais. A maioria das iniciativas de mudança falham porque queremos controlar excessivamente a transformação – e subestimamos a jornada emocional.

O espaço do lugar de transição pode ser difícil de tolerar. Mas somente abraçando os medos, as ansiedades, as incertezas, coisas melhores podem acontecer.

A transição é um estado que não é aqui nem lá.

É um estado em que a ordem das coisas parece suspensa. É um espaço entre o agora e o futuro – o lugar onde a transformação ocorre.

Você quer se tornar algo novo – mudar sua identidade. A ambiguidade faz você se sentir incerto.

A vida é uma transição contínua – no entanto, lutamos para aceitar que é fluída, incerta e fora de nosso controle.

Em vez de correr pela vida, preste atenção. Aproveite a experiência de passar por uma transição.

A fase de liminaridade é uma oportunidade de auto-reflexão.

Confronte seus medos e emoções. O que eles estão tentando lhe dizer?

Busque melhor entendimento. O que está acontecendo com você?

Abandone a crença na certeza. Quais são as coisas que você não pode controlar? Por quê?

Quando você estiver no espaço de liminaridade, a única saída é seguir em frente. Você não pode voltar ao seu estado anterior – ainda que tentasse.

Mudança é a experiência de se tornar

Preocupamo-nos que não consigamos nadar até a outra margem do rio. Em vez de navegar pela transição, somos pegos nas correntezas da frustração, ansiedade e desconexão.

É necessária internalizar um fato – a mudança não é uma abordagem em que tudo é preto e branco, estado atual versus estado futuro. Uma mudança real ocorre durante a transição. Você melhore à medida que avança no caminho.

Toda transformação começa com um final e termina com um começo.

Porque começar com um fim?

Um divórcio, desemprego, morte de um alguém muito querido; sua empresa precisando fechar as portas. Finais quebram nosso antigo sistema. Eles perturbam nosso estado natural. Marcam o fim de determinado ciclo.

Resistimos às transições não porque não podemos lidar com a mudança, mas porque não queremos aceitar que a situação mudou. Não queremos desistir de um pedaço de nossas vidas.

Para se tornar melhor do que tu és agora, você precisa parar de ser o que é agora. Para começar a fazer as coisas de uma maneira nova, você precisa eliminar a forma de fazer as coisas agora. Para desenvolver uma nova atitude ou perspectiva, você deve deixar de lado o antigo.

Esvazie sua xícara. Abra espaço para o novo estado. Você deve dizer adeus ao status anterior. E seja bem-vindo ao seu novo estado: estado de transição.

Prepare-se para viajar por lugares incômodos e incertos.

Viajante, não há estrada;
você faz seu próprio caminho enquanto caminha.
e quando olha pra trás,
vê o caminho que nunca percorrerá

A experiência da transformação

Mas a mudança real exige mais do que dizer “não” ao passado e “sim” ao futuro.

O futuro é sempre inesperado e incerto – você deve planejar cuidadosamente a jornada. Uma transformação eficaz requer ritualística e orientação. O processo de um rito de passagem é propositalmente, “gerenciado e guiado”. A jornada emocional é incerta; o ritual não deveria.

Todas as transformações são emocionais, incertas e confusas. Abrace essas dores – esse espaço em que você não é e ainda não se tornou – é uma oportunidade para aprendizado e crescimento pessoal. Mas nem sempre é fácil. Não ignore ou apresse a transição. Os atalhos podem acelerar a chegada ao topo da montanha, mas você não terá as pernas de um caminhante forte.

Transições são rituais de descoberta. A jornada molda quem você se torna. O espaço de liminaridade é uma oportunidade para prototipar sua vida. Experimente quem você quer ser antes de sair do outro lado. Não há espaço para atalhos. Você nunca saberá quem é você e nem o quem na outra margem do rio se você não atravessar.


Recomendação de Leitura

Os ritos de passagem – Arnold van Gennep

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A Coleção Antropologia vem ao encontro da crescente demanda do mundo acadêmico e universitário por obras clássicas dos grandes autores que demarcaram os estudos antropológicos.
Os ritos de passagens de Arnold Van Gennep vem preencher uma importante lacuna na bibliografia antropológica, pois trata-se de um texto teórico de importância fundamental para quantos pretendem estudar cerimoniais, ritos, espetáculos de sociedades tribais ou complexas, antigas ou contemporâneas.

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