Eu estou te ouvindo

Há algo profundamente espiritual em ouvir. É a forma mais eficaz de resolução de conflitos que conheço. Muitas coisas podem gerar conflito, mas o que o sustenta é a sensação de pelo menos uma das partes não ter sido ouvida. Eles não foram ouvidos. Não “ouvimos sua dor”. Houve uma falha de empatia.

Jó, que sofreu injustamente, não se comove com os argumentos de seus “consoladores”. Não que ele insista em ter razão: o que ele quer é ser ouvido. Não é por acaso que a justiça pressupõe a regra do audiatur et altera pars, “ouça-se também a outra parte”.

Ouvir está no cerne das relações. Significa que estamos abertos ao outro, que respeitamos, que suas percepções e sentimentos são importantes para nós. Nós lhe damos permissão para serem honestos, mesmo que isso signifique nos tornarmos vulneráveis ao fazê-lo.

Ouvir não significa concordar, mas significa cuidar. Ouvir é o clima em que o afeto e o respeito crescem.

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