A Ilusão do controle e a ilusão da certeza

A ilusão de controle

A natureza está em ritmo que não controlamos. O oceano vai de calmo a violento em questão de minutos. As ondas vêm e vão. Não controlamos quando chove ou quando o sol vai brilhar. Não controlamos quando está quente ou frio. Nos ajustamos em conformidade.

Mas quando se trata de todas as outras partes de nossas vidas, gastamos grande quantidade de energia tentando controlar o incontrolável.

Nos estressamos com o cronograma de nossas vidas como se estivéssemos em uma corrida para a morte.

Pergunte a si mesmo, o que você está tentando controlar e não pode.

Isso cria muito sofrimento desnecessário.

Mas quando finalmente aceitamos que não controlamos quase nada, podemos colocar nossa energia no punhado de coisas que podemos controlar.

A ilusão da certeza

Depois de aceitar que não controla quase nada, você reconhecerá que a certeza também é uma ilusão. Tudo na vida é incerto. Nada é garantido.

Como a incerteza cria ansiedade, em vez de aceitar que tudo é incerto, tentamos mitigá-la (controle).

E a ilusão de certeza nos coloca em um ciclo vicioso de sofrimento.
Ficamos chateados quando a vida não corre conforme o planejado. Se você estiver no planeta por tempo suficiente, perceberá que isso raramente acontece.

Daí o ditado: “Os homens fazem planos e deus ri.” Sendo esse o caso, tenho certeza de que minha vida tem sido como uma comédia especial para deus.

O poder das transições – não se apresse pela vida

“A vida é agradável. A morte pacífica. É a transição que é problemática”

As transições moldam quem somos – elas criam oportunidades para um crescimento profundo.

Separar meninos de suas famílias é um ritual de passagem para a vida em muitas comunidades africanas.

As crianças passam por um árduo processo de enfrentamento dos elementos da natureza por conta própria. O ritual geralmente envolve passar algumas noites sozinho na floresta ou matar sua primeira grande caça.

Infelizmente, nossa sociedade subestima o poder das transições – queremos um resultado melhor sem o sofrimento da passagem.

Queremos transformações, mas sem passar pelo dor da metamorfose. Adoramos o prazer da vida, mas não o caos.

Provavelmente você não precisa matar um grande caça ou passar por ritual cruel de passagem. Transições diárias também podem transformar você.

Temos a ideia de transformação totalmente errada. Procuramos o caminho mais rápido para obter um resultado, mas subestimamos o valor da própria transição.

A verdadeira transformação acontece ao longo da jornada – não no final.

Ritos de passagem são experiências que nos ajudam a passar de um estágio para outro. Abandonamos nosso status atual para nos tornarmos outro coisa.

Aprecie o espaço entre momentos. Viva o presente da auto-compreensão. Encontre seu lugar na transição.

A Liminaridade é um espaço entres dois estados definidos. A ideia de liminaridade é foi introduzida por Arnold Van Gennep em sem seu livro Os Ritos de Passagem.

O antropólogo descreveu como cada ritual de passagem – como rituais de maioridade e casamento – tem uma estrutura de três partes: separação, liminaridade e reassimilação.

Separação significa abrir mão de sua identidade passada. Você abre mão de seus status atual. E prepara-se para mudar da familiaridade para a incerteza.

A fase de liminaridade é a transição. Você deve navegar por águas desconfortáveis e inexploradas.

A Reassimilação marca o fim da jornada. Esta última fase é caracterizada pela celebração. Você foi transformado e agora pode entrar novamente no mundo com um novo status.

As fases inicial e final são mais pacíficas e agradáveis. Mas, o estágio de liminaridade é cheio de incertezas. É por isso que queremos nos apressar – odiamos o caos.

Liminaridade é a qualidade da ambiguidade ou desorientação que ocorre nos estágio intermediário dos rituais. É o processo de transformação.

Abra espaço para nova energia, sabedoria. Navegue pelas transições com a mente aberta. Use a incerteza como uma oportunidade de crescimento.

Liminaridade

Os processos transformacionais não plenamente racionais. A maioria das iniciativas de mudança falham porque queremos controlar excessivamente a transformação – e subestimamos a jornada emocional.

O espaço do lugar de transição pode ser difícil de tolerar. Mas somente abraçando os medos, as ansiedades, as incertezas, coisas melhores podem acontecer.

A transição é um estado que não é aqui nem lá.

É um estado em que a ordem das coisas parece suspensa. É um espaço entre o agora e o futuro – o lugar onde a transformação ocorre.

Você quer se tornar algo novo – mudar sua identidade. A ambiguidade faz você se sentir incerto.

A vida é uma transição contínua – no entanto, lutamos para aceitar que é fluída, incerta e fora de nosso controle.

Em vez de correr pela vida, preste atenção. Aproveite a experiência de passar por uma transição.

A fase de liminaridade é uma oportunidade de auto-reflexão.

Confronte seus medos e emoções. O que eles estão tentando lhe dizer?

Busque melhor entendimento. O que está acontecendo com você?

Abandone a crença na certeza. Quais são as coisas que você não pode controlar? Por quê?

Quando você estiver no espaço de liminaridade, a única saída é seguir em frente. Você não pode voltar ao seu estado anterior – ainda que tentasse.

Mudança é a experiência de se tornar

Preocupamo-nos que não consigamos nadar até a outra margem do rio. Em vez de navegar pela transição, somos pegos nas correntezas da frustração, ansiedade e desconexão.

É necessária internalizar um fato – a mudança não é uma abordagem em que tudo é preto e branco, estado atual versus estado futuro. Uma mudança real ocorre durante a transição. Você melhore à medida que avança no caminho.

Toda transformação começa com um final e termina com um começo.

Porque começar com um fim?

Um divórcio, desemprego, morte de um alguém muito querido; sua empresa precisando fechar as portas. Finais quebram nosso antigo sistema. Eles perturbam nosso estado natural. Marcam o fim de determinado ciclo.

Resistimos às transições não porque não podemos lidar com a mudança, mas porque não queremos aceitar que a situação mudou. Não queremos desistir de um pedaço de nossas vidas.

Para se tornar melhor do que tu és agora, você precisa parar de ser o que é agora. Para começar a fazer as coisas de uma maneira nova, você precisa eliminar a forma de fazer as coisas agora. Para desenvolver uma nova atitude ou perspectiva, você deve deixar de lado o antigo.

Esvazie sua xícara. Abra espaço para o novo estado. Você deve dizer adeus ao status anterior. E seja bem-vindo ao seu novo estado: estado de transição.

Prepare-se para viajar por lugares incômodos e incertos.

Viajante, não há estrada;
você faz seu próprio caminho enquanto caminha.
e quando olha pra trás,
vê o caminho que nunca percorrerá

A experiência da transformação

Mas a mudança real exige mais do que dizer “não” ao passado e “sim” ao futuro.

O futuro é sempre inesperado e incerto – você deve planejar cuidadosamente a jornada. Uma transformação eficaz requer ritualística e orientação. O processo de um rito de passagem é propositalmente, “gerenciado e guiado”. A jornada emocional é incerta; o ritual não deveria.

Todas as transformações são emocionais, incertas e confusas. Abrace essas dores – esse espaço em que você não é e ainda não se tornou – é uma oportunidade para aprendizado e crescimento pessoal. Mas nem sempre é fácil. Não ignore ou apresse a transição. Os atalhos podem acelerar a chegada ao topo da montanha, mas você não terá as pernas de um caminhante forte.

Transições são rituais de descoberta. A jornada molda quem você se torna. O espaço de liminaridade é uma oportunidade para prototipar sua vida. Experimente quem você quer ser antes de sair do outro lado. Não há espaço para atalhos. Você nunca saberá quem é você e nem o quem na outra margem do rio se você não atravessar.


Recomendação de Leitura

Os ritos de passagens de Arnold Van Gennep – trata-se de um texto teórico de importância fundamental para quantos pretendem estudar cerimoniais, ritos, espetáculos de sociedades tribais ou complexas, antigas ou contemporâneas.


Solidão

Solidão é uma faca de dois gumes.
O suficiente abre portais para a imaginação.
Demais ao desespero.
Às vezes, maravilhas iluminadoras;
às vezes chorando no deserto.
Envolver o universo silencioso e inexplicável
pode causar visão ou tremores.
As matérias-primas grosseiras da poesia:
um casamento de êxtase e horror.
Tudo é uma lição em potencial
e a morte sussurra: é melhor aprender rápido.
Os poetas examinam infinitas palavras
na esperança de descobrir encantamentos,
as fórmulas misteriosas que amenizam
a dor de um mundo destruído,
uma mágica para transformar o chumbo da vida
em frases adoráveis ​​de ouro.
É uma alquimia empoderadora
e repleta de falhas infelizes.
A solidão corta a alma
e o corte a torna inteira.

A virtude da inconsistência

A consistência é valorizada em nossa sociedade porque gera confiança e ordem. Recompensamos consistência na fala, comportamento, ideias e opiniões. É compreensível; a consistência leva à previsibilidade e a última estabelece uma base sólida para uma sociedade “bem-sucedida e funcional”.

Mas devemos colocar um limite na medida em que somos consistentes. Não advogo a quebra de promessas – devemos nos esforçar para honrar nossa palavra. O que eu defendo é liberdade da necessidade de ser consistente em nossos pensamentos e ideias.

A grande maioria de nós adquire um conjunto de crenças e opiniões quando completamos os vinte anos, que permanecem basicamente as mesmas pelo resto de nossas vidas. Orgulhamo-nos de defendê-los e somos facilmente ofendidos quando são atacados.

Mas de que utilidade é a coerência para nossas mentes? Por que nos tornamos tão rígidos em nossos pensamentos? Que recompensa existe para nós por sermos consistentes? Existe um lugar especial no céu  reservado para aqueles que demonstram consistência admirável ao longo de suas vidas?

Uma mente fértil mantém a capacidade de mudar e a liberdade de abandonar o antigo pelo novo e depois voltar ao antigo, se assim o desejar. A inclinação para mudar de ideia pode ser uma virtude, se a deixarmos ser.

Certamente, deve-se ser capaz de apresentar um argumento convincente para a mudança, pois esse poderia ser o tipo de virtude que poderíamos ter grande prazer em abusar.

Ser inconsistente em nossos pensamentos e nas crenças que assinamos embaixo é um ato de coragem, porque corre o risco de desmantelar o “eu” – nossa ideia de nós mesmos – pois isso nada mais é do que um monte de pensamentos, crenças e opiniões repetitivas.

A ilha do conhecimento

À medida que a Ilha do Conhecimento cresce, também crescem as margens da nossa ignorância – a fronteira entre o conhecido e o desconhecido. Aprender mais sobre o mundo não leva a um ponto mais próximo de um destino final – cuja existência nada mais é do que uma suposição esperançosa – mas a mais perguntas e mistérios. Quanto mais sabemos, mais expostos estamos à nossa ignorância.


Sempre tentamos entender o mundo em que vivemos. E, no entanto, quanto podemos realmente saber? Quais são as limitações da ciência?

Em seu livro A ilha do conhecimento: os limites da ciência e a busca por sentido, o Físico Marcelo Gleiser traça o progresso da ciência e seus limites.

Embora a ciência não seja a única maneira de ver e descrever o mundo em que vivemos, é uma buscadora por resposta às perguntas sobre quem somos, onde estamos e como chegamos aqui.

A ciência fala diretamente à nossa humanidade, à nossa busca por luz, cada vez mais luz.

Estamos cercados por horizontes, por incompletude escreve. Em vez de desistir, lutamos. O que nos torna humanos é essa jornada para entender mais sobre os mistérios do mundo e explicá-los com razão.

O que vejo na natureza é uma estrutura magnífica que só podemos compreender
imperfeitamente, e que deve encher uma pessoa pensante com um sentimento de humildade.

O que vemos do mundo é apenas uma fatia do que está por aí.

Há muita coisa invisível aos olhos, mesmo quando aumentamos nossa percepção sensorial com telescópios, microscópios e outras ferramentas de exploração. Como nossos sentidos, todo instrumento tem um alcance. Como grande parte da natureza permanece escondida de nós, nossa visão do mundo se baseia apenas na fração da realidade que podemos medir e analisar.

A ciência, como nossa narrativa que descreve o que vemos e o que conjeturamos existe no mundo natural, é, portanto, necessariamente limitada, contando apenas parte da história. (…)

Nós nos esforçamos em direção ao conhecimento, sempre mais conhecimento, mas devemos entender que estamos e permaneceremos cercados de mistério.

Essa visão não é anti-científica nem derrotista. … Pelo contrário, é o flerte com esse mistério, o desejo de ir além das fronteiras do conhecido, que alimenta nosso impulso criativo, que nos faz querer saber mais.

A realidade é um mosaico de idéias em constante mudança.

O que sabemos sobre o mundo é apenas o que podemos detectar e medir – mesmo que melhoremos nossa “detecção e medição” com o passar do tempo. E assim tiramos nossas conclusões da realidade sobre o que atualmente podemos “ver”.

Considere, então, a soma total de nosso conhecimento acumulado como constituindo uma ilha, que eu chamo de “Ilha do Conhecimento”. … Um vasto oceano circunda a Ilha do Conhecimento, o oceano inexplorado do desconhecido, ocultando inúmeros mistérios tentadores.

A Ilha do Conhecimento cresce à medida que aprendemos mais sobre o mundo e sobre nós mesmos. E, no entanto, à medida que a ilha cresce, também crescem as margens da nossa ignorância – a fronteira entre o conhecido e o desconhecido.

O sexo é a nossa humanidade

As pessoas afirmam que os seres humanos estão aqui na terra por várias razões. Existem todos os tipos de teorias sobre nossas origens – de Adão e Eva, a experimentos alienígenas de Anunnaki, de crianças extraterrestres, ao ciclo de morte e renascimento, à ideia que a verdadeira realidade é a unicidade.

Todas essas são ótimas histórias, e todas são verdadeiras nesse sentindo: elas são completamente inventadas e perdem completamente um ponto-chave. Sexo.

Na minha opinião, os seres humanos existem inquestionavelmente para um propósito; fazer sexo. O sexo nos fez que somos hoje. Sem sexo, não há humanidade, não há mitos, religião, histórias, nem nós.

Sexo é a chave da vida.

Nossa sexualidade é simbólica. O sexo é simbólico e possui um corpo simbólico – destinado a liberar energia sexual. Somos feitos para o sexo, e em algum momento de nossas vidas teremos sexo – conosco mesmos – ou com outra pessoa.

Estou sugerindo que talvez o principal objetivo do ser humano seja fazer sexo. Todas as nossas histórias, nossos mitos, nossas religiões, nossos medos, todas as nossas tensões e preocupações e nossos intermináveis dramas de relações, nossos céus e nossos infernos, nossa tentativa implacável de controlar nossos impulsos, nada mais são do que uma distração, maneiras de impedir que nossa mente consciente se concentre no objeto simples – fazer sexo delicioso, íntimo, maravilhoso e vulnerável, em forma totalmente animalesca e em toda sua sacralidade e ritualística e mesmo profanação. Olhar a vida dessa maneira, é realmente um modo belo.

Zenão e o Estoicismo

Por mais influente que Zenão tenha sido, nada do que ele escreveu sobreviveu aos dias modernos. Por volta de 300 a.C, em Atenas, ele foi um dos professores mais reverenciados. Sua reivindicação à fama é que ele fundou o estoicismo, uma escola de filosofia interessada principalmente em como devemos viver.

Nossa compreensão de sua abordagem ao estoicismo, vem de fontes secundárias (de excelente qualidade) como Sêneca e Marco Aurélio.

Ele dividiu sem pensamento em três categorias: lógica, que equiparou ao estudo de coisas como conhecimento, percepção e pensamento; física, que era sua abordagem da natureza e da ciência; e ética, que se preocupava com a conduta diária de viver e ser.

Desses três, no entanto, era na ética que ele estava mais interessado, vendo as outras duas categorias como meios – uma estrutura para apoiar suas conclusões.

As idéias de Zenão foram construídas sobre metodologias mais antigas dos cínicos e do pensamento de Sócrates, mas em vez de se inclinarem para um lado ou para o outro, ele misturou e combinou como quis.

Naturalmente, há alguma discordância sobre o que exatamente o sistema de Zenão estabeleceu e os detalhes mais refinados de sua abordagem, mas em termos gerais, podemos pintar uma imagem bastante precisa.

É fácil se pego nos mistérios mais profundos da realidade e, no processo, às vezes esquecemos de prestar atenção ao que realmente significa viver como uma questão de conduta diária. Os estoicos, como Zenão, mostraram como podemos fechar essa lacuna.

Viva de acordo com a natureza

Temos inclinações para mudanças e harmonia, competição e cooperação, buscas e confortos.

Agora, é claro, certas características têm uma atração mais forte em algumas pessoas do que outras, e quando somos jovens, muitas delas são cruas e baseadas em impulso, mas à medida que envelhecemos e experimentamos, podemos usar a razão para nos conduzir menos afetada pelos instintos e em direção a um entendimento mais guiada pela razão.

Se seguirmos esse caminho da razão, o que geralmente nos resta são motivação essenciais que nos levam a buscar nossos interesses, motivações essenciais que nos levam a cuidar dos que estão à nossa volta e motivações essenciais para superar os diferentes desafios que a vida coloca em nosso caminho.

O principal a ser observado aqui é que os estoicos eram contra o romantismo cego, onde sentimentos e prazeres guiam o que fazemos. Não, Zenão ensinou que usamos a experiência e depois a refinamos com a razão como forma de harmonizar com o mundo e é isso que deve nos guiar.

Uma vez atingido um certo refinamento, este funciona como uma bússola, uma contra a qual não devemos lutar se estiver nos dizendo que devemos seguir na outra direção.

Isso nos leva ao cerne da cosmovisão estoica: a ética deles. No final das contas, muito pouco disso importa, a menos que, de alguma maneira, alteremos nossas ações, condutas e modos de ser.

Embora o uso da razão e da experiência para nos alinharmos com o meio ambiente seja um começo, não é um fim. ainda há conflitos que provavelmente enfrentaremos, a saber, aqueles que nos desafiam, onde a natureza mais ampla está colocando um estresse em nossa própria experiência pessoal.

Quando por exemplo, nos machucamos, ou quando a realidade falha em atender às nossas expectativas, ou quando perdemos pessoas de quem gostamos, há claramente um conflito, e harmonizar as coisas não é fácil.

aqui Zenão diria que qualquer ação ou conduta é correta se for simplesmente boa. E o que ele quer dizer com bom? Bem, algo é bom se for virtuoso: quando você usa sua razão para mudar o que está sob seu controle e deixar de lado o que não está.

Quando você coloca a virtude no centro, como a coisa mais significativa, assume total responsabilidade por como experimenta a realidade, porque a virtude nasce de dentro de você; não no mundo exterior.

Pode ser verdade que as pessoas estão tratando você injustamente, ou que não foi sua culpa ou que a vida em geral é apenas difícil, mas depois que um evento não reversível ocorre, você pode fazer uma de duas coisas: combater ou harmonizar com ele. E se você não pode mudar o mundo, a única maneira de se harmonizar com ele é mudar sua reação.

Tenha uma avaliação neutra do mundo

A importância da virtude destaca o valor de gerenciar nossa realidade interna: que o que é bom e verdadeiro vem do olhar interior. Justo, mas e o mundo exterior?

Se a única fonte de bondade é a parte de nós encarregada de administrar nossa reação a eventos externos, então qual é exatamente o ponto de nos preocuparmos com qualquer coisa no mundo que nos rodeia?

Os objetos que vivenciamos e vivemos podem não ter valores positivos ou negativos em si mesmos, mas desempenham um papel importante.

Tudo no mundo exterior é neutro. Por si só, não é bom nem ruim; simplesmente é. Dito isto, a maneira como nossa virtude e bondade internas interagem com este mundo é de conseqüência. Por exemplo, é mais preferível evitar a doença sendo cauteloso do que entrar nela.

Buscar a saúde, a riqueza e a comunidade, coisas que ajudam a nos preservar, é natural e preferível, desde que não as confundamos como fonte de nossa virtude e bondade.

Depois de refinarmos nossa razão e buscarmos as principais motivações que ela nos impregna, não interagir com esse mundo de objetos externos seria um ato contra a harmonia. Seria criar um conflito onde, de outra forma, não haveria um.

É uma ideia simples: controle o que você pode e solte o que não pode. Mas é preciso mais do que apenas dizer e saber para que realmente entre em vigor no dia a dia da vida.

Zenão de Cítio, o primeiro estoico, pode não ter deixado para trás um sistema perfeitamente claro para estudarmos, mas há o suficiente para nos guiar em direção a nossas próprias variações da estrutura.

Social Game: A sedução nos círculos sociais

Meu amigo Type recentemente lançou um ebook, Social Game: O Submundo da Sedução nos Círculos Sociais. No post em que ele fez o lançamento, eu o congratulei pela publicação, e disse que iria adquirir e fazer uma resenha.

ok. Para minha surpresa Type entrou em contato comigo e me enviou um exemplar. Obrigado Type.

Dito isto vamos a minha opinião sobre o ebook.

Resolvi traçar minha opinião da seguinte forma dar uma nota de 0 a 10 para os seguintes itens:

eficácia – Funciona?
facilidade de implementação – vai ser muito difícil de colocar em prática?
inovação – tem algo de inovador ou já vi isso antes?

então após isso a tirar média e dar a nota geral e depois detalhar um pouco sobre o ebook.

eficácia – 9
facilidade de implementação – 7,5
inovação – 8
Nota geral: 8,5

Vamos adentrar mais nos detalhes do ebook

O bom

Claro, eficaz e motivacional. É bem vindo nesses tempos de alto foco em online/text/phone/-game (nada contra), ver um ebook disponível para melhorar o estilo de vida social. Isso por si só já valeu a nota que eu atribuí no quesito inovação.

Dá instruções detalhadas sobre como melhorar radicalmente sua vida social. Será eficaz em ajudar você a conhecer e sair com mulheres de maior qualidade.

O ruim

Pode ser esmagador para novatos/iniciantes a quantidade de informação, embora o ebook tenha menos de 100 páginas, tem muito informação condensada, que se não for bem administrada pode atrapalhar, vá com calma Roma não foi construída em um dia.

Mais detalhes

O ebook é projetado para elevar suas habilidades de sedução para um nível muito mais alto, criando um estilo de vida social que alimenta sua vida amorosa; é um guia sobre como criar uma vida social que atrai mulheres para você.

Você pode investir em conexões sociais que contribuem para sua vida, trazendo mais conexões e facilitando o encontro de mulheres, além de outras oportunidades.

E é disso que trata o Social Game.

Este produto exigirá que você invista 6 meses (estimativa razoável) para construir um círculo social e estilo de vida que lhe proporcione mais amigos de qualidade, outros valores como acesso a bons clubes e eventos e, claro, mulheres de maior qualidade (beleza).

Type explica como os círculos sociais funcionam, como construí-los ao longo do tempo e quais são os objetivos finais. Enquanto ele discute alguns dos maiores problemas que você pode ter em círculos sociais.

Isso não é necessariamente o assunto mais fácil de ensinar. Mas Type obviamente gastou muito tempo pensando em como simplificar e comunicar suas ideias e conceitos; algumas vezes recorrendo à algumas dicotomias (que me incomodou as vezes, mas facilita a didática).

Alguns detalhes adicionais a considerar

Se você é mais uma pessoa extrovertida este produto e o estilo que ele defende serão bem adequados para você. Se você é mais introvertido e acha que situações sociais são realmente desgastantes, talvez você não aprecie o processo que esse sistema envolve. Todavia você ainda obterá algumas informações valiosas, muitas informações valiosas. (mas até a introversão poderá ser usada a seu favor se você for inteligente).

Para aqueles que estão dispostos a investir tempo e esforço na aplicação das estratégias que Type ensina, é provável que você obtenha bons resultados. Definitivamente vale a pena conferir, e especialmente para os caras que querem um estilo de vida onde eles têm acesso a muitas mulheres atraentes.

A vantagem que esse tipo de estilo tem é que você não está começando do zero (por assim dizer) toda vez que você sai.

Se você fizer um esforço conjunto para realmente aplicar o que é ensinado, pode ter resultados realmente poderosos para você.

Tenha em mente que é difícil determinar quanto tempo levará para criar a vida social que você deseja. É possível que você encontre alguém que possa abrir todos os tipos de portas para você, ou pode levar meses conhecendo muitas pessoas novas antes de formar as conexões corretas que realmente valerão a pena para você. Portanto, apenas seja realista aqui e use seu bom senso.

Com isso dito, há alguns bons conselhos aqui sobre ser atraente para as mulheres e como namorar as meninas desses círculos sociais. Não é focado em truques e técnicas, mas em ter uma identidade forte e ter sua vida nos eixos e você precisará melhorar a si mesmo.

No geral, há algum conteúdo sólido incluído aqui.

Você pode conferir mais do trabalho do Type no blog que ele mantém.
O ebook você pode conhecer neste link.

Um guia racionalista para a religião

Se a religião fosse uma língua, toda minha vida eu lutei com a gramática dela. Eu tive dificuldade em conjugar algumas das crenças centrais sobre deus de modo que fizessem sentido para mim. Em muitos momentos optei pelo silêncio, diversas vezes evitando completamente o assunto.

Ainda assim, parte de mim ansiava/anseia por falar sobre isso – deus, fé, religião e o que são contradições aparentemente irreconciliáveis entre os três. Mas tenho optado cada vez mais por enfrentar esse receio.

Desenvolver uma espécie de mapa para mim sobre como falar sobre religião e, mais importante ainda, reconhecer padrões em como os outros falam sobre isso. Não estou aqui para argumentar certo ou errado, verdade ou falsidade, mas apenas aplico o princípio básico da empatia – quero ser capaz de explicar aos outros as origens da minha visão e compreender aqueles cujas visões são diferentes das minhas (devo salientar que estou cético quando ao sucesso dessa abordagem).

Comecemos com a premissa geral de que todas as pessoas têm direito às suas crenças, desde que essas crenças não favoreçam ações tangíveis que prejudiquem os outros. Eu deveria alertá-lo aqui que não sou um especialista em teologia, embora quem me conhece afirme que eu tenha dissecado muitos textos religiosos, isso é subjetivo. Vou desenhar a imagem de nossa conversa a partir de rotas de diálogos que tive com pessoas de múltiplos sistemas de crença, alguns muitos semelhantes e outros muito opostos. Tal mapeamento mental levou-me à inclinar-me para certos insights.

Primeiro, quero deixar de lado a argumentação de uma verdade absoluta – se deus existe ou não, em caso afirmativo, quem é ela ou ele ou o que ou quem – esbarrei em algo que chamo de “locum refrigérii”, que é o cerne de um sistema de crenças, é a ansiedade, a necessidade de reduzir a dissonância cognitiva, rejeitando certas evidências e aceitando outras. É a lógica que cada pessoa individual faz para si mesmo, para ajudar a si mesma a estruturar suas próprias crenças. Em alguns, essa lógica inclui argumentar uma verdade absoluta sobre todas as possibilidades.

Aqui estão os três locum refrigérii que eu encontrei (pode haver mais) onde a maioria das conversas sobre deus para mim tendem a acabar:

A primeira é uma visão determinista da vida. Basicamente, e estou simplificando demais aqui – deus tem um plano para todos nós. Os limites do que os seres humanos em nossa capacidade limitada podem conhecer não nos permite entender completamente o plano de deus. Todo sofrimento e adversidade fazem parte desse plano (estão permitidos) e tem um propósito. Dependendo de com quem você fala, essa visão é frequentemente associada à crença de que deus é simultaneamente bom e onipotente.

Embora esta visão seja atraente para muitos – eu mesmo estou completamente desconfortável com ela, por algumas razões:

a) Não há como provar se o sofrimento acontece por um motivo ou porque temos a necessidade de explicar (para reduzir a dissonância cognitiva) por que coisa ruins acontecem a pessoas boas. Independentemente disso, acho que é um pouco paternalista quando alguém me diz que o que eu estou passando tem um propósito diferente daquele que eu mesmo descobri ou possa especular atribuir. Em muitos  casos, o sofrimento é aleatório e não tem um propósito. Não há razão por que uma criança nasce em um ambiente de pobreza e enfrenta a morte pela fome e outra não.

b) Como não acredito que o sofrimento aconteça por uma razão, a onipotência e a bondade absoluta para mim se tornam uma falácia. Ser onipotente e não prevenir o sofrimento não é bom, e ser bom, mas não impedir o sofrimento nega a onipotência, pois deus ou quer e pode impedir os males, ou quer impedir os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer e nem pode;

A visão de que os humanos não podem entender o plano de deus é o que eu vejo frequentemente empregado como um argumento infalível/válido. Mas basicamente, é um tipo de lógica onde é impossível provar que se está errado. Freud, que era um escritor brilhante, argumentou em A Interpretação dos Sonhos que, se alguém não tem uma memória infantil traumática – como um Complexo de Édipo – é porque essa pessoa a reprimiu. Não há como argumentar contra esse argumento – ou você tem o complexo ou está reprimindo. A razão pela qual não gosto deste argumento é que eu não acho que progrida para questionamentos e para compreensões mais profundas. É uma barreira e não uma maneira de avançar o pensamento. Frequentemente, dizer que não entendemos o plano de deus é usado para eufemizar o fato observável de que o sofrimento acontece sem nenhuma razão aparente e com aleatoriedade.

O segundo local de conforto é aquele em que a fé é o relacionamento pessoal com deus . Muitas vezes leio os debates na seção de comentários sobre conflitos fundamentalistas, muitos dos quais ressoam algo assim: “Essas pessoas não são cristãs / muçulmanas verdadeiras, a Bíblia / Alcorão ensina claramente que matar é errado. O verdadeiro [insira o nome de uma religião aqui] é sobre o seu próprio relacionamento pessoal com deus.

Talvez eu goste dessa visão. Eu tenho muitos amigos próximos para quem esta é a base do seu sistema de valores. Mas, pensando melhor ainda estou insatisfeito, e aqui está o porquê:

a) Dizer que as ações de alguém em nome da religião devem ser desconsideradas, já que uma interpretação “verdadeira” dessa religião é um pouco parecida com dados de coleta seletiva. A religião tem sido um aspecto persistente da civilização humana durante séculos, muitas vezes a musa por trás de grande parte da arte, filosofia e moralidade na história humana. Muitos daqueles que fazem tremendos sacrifícios e fazem trabalho social para ajudar os menos afortunados deste mundo acreditam que estão fazendo o trabalho para/com deus. No entanto, a religião também pode ser um precipitante para a destruição. Guerras foram travadas em nome da religião que matou milhões de pessoas. E esse soldado, seja da Cruzada ou da Al-Qaeda, também acredita estar fazendo a obra de deus. E essa crença é igualmente intensa e pura em seu raciocínio como a freira que cuida de uma criança doente, apenas a expressão dessa crença é diferente.Se é a expressão em si que importa, então a crença em deus não tem valor inerente além da qualidade das ações que se manifestam a partir dessa crença.

b) Definir a fé de alguém como um relacionamento pessoal com Deus é, novamente, um argumento que busca considerar-se acima de verificação de falseabilidade – não pode ser desafiado ou questionado porque é somente entre esse indivíduo e deus, como nem você nem eu temos nenhum negócio lá. É uma posição confortável de se estar. Eu entendo o apelo dessa lógica, mas para mim eu acho um pouco insular.

Então isso me leva ao terceiro lugar do conforto. Há um lugar onde eu também me sinto confortável em minha própria fé – que é, antes, uma visão utilitarista da religião.

Isto é, o valor da fé de alguém é uma função onde f (x) = expressão daquela fé como julgada por aqueles que são impactados por aquela fé.

Em outras palavras, seja qual for o fundamento de sua fé – em deus, na humanidade, em si mesmo – é a expressão dessa fé sobre os outros que importa. O que faz de você uma boa pessoa é o impacto que sua fé tem como julgado pelos outros seres humanos que são tocados por ela.

Eu digo julgado por outros seres humanos, porque eu pessoalmente não gosto da expressão “ninguém, exceto deus pode me julgar.” Isso poderia ser bom se você vivesse em um mundo onde é só você e deus. Mas todos nós vivemos com outros seres humanos, então devemos contá-los em nossa matemática moral.

Além disso, compreender verdadeiramente o seu próprio impacto é um processo complicado – obriga-o a fazer continuamente perguntas e a desafiar os seus próprios motivos, faz com que tenha empatia. Pede que você enfrente o melhor e o pior dentro de si mesmo. Chekov escreveu uma vez que “o homem se tornará melhor quando você mostrar a ele o que ele realmente é”. Eu acho que isso é maravilhoso.

Quando eu examino minha própria fé – e a minha vem da humanidade, caso você esteja se perguntando – eu uso alguns truques para me manter no caminho de me tornar a pessoa que eu gostaria de ser.

a) Faça perguntas. Desafie suas próprias respostas. Isso não significa não ter uma opinião, significa reconhecer que a maioria das opiniões são apenas alvos em movimento para praticar a reflexão. Você notará que os que você atingiu consistentemente acabam se tornando valores fundamentais. Se eu tivesse filhos, perguntaria à eles as perguntas que fizeram na escola, e não apenas o que aprenderam. Curiosidade é o que lentamente empurra os limites do conhecimento humano, seja sobre o universo ou sobre nós mesmos. Enquanto você estiver curioso poderá encontrar possibilidades.

b) Nunca pare de melhorar sua autoconsciência.Aprenda a pensar os melhores e piores pensamentos sobre si mesmos. Entenda a ampla gama de quem você pode ser. Os seres humanos são criaturas extraordinariamente complexas – e tenho visto em mim mesmo inseguranças, segundas intenções, tendências manipuladoras e astúcia geral, tanto quanto me surpreendi em consideração, gentileza, gratidão. A autoconsciência é o que me mantém humilde e me dá empatia.

Quanto mais eu posso entender o meu próprio impacto sobre os outros e ver isso de seus olhos, mais vejo como é difícil ser uma boa pessoa. Isso me permite ser mais autêntico às minhas próprias imperfeições.

Eu não acredito em um poder mais alto do que muitos ao meu redor, e acredito que algumas coisas são mais prováveis ​​do que outras (como a evolução versus o criacionismo, por exemplo). Eu acredito que os humanos são feitos da mesma coisa que as estrelas, o que é muito legal se você pensar nisso. Eu gosto de ciência porque, como disciplina, continua a tentar desmentir sua própria verdade e reconhece o que não sabe. Eu gosto de disciplinas onde é costume levantar uma sobrancelha e questionar.


O blefe da Justiça

A justiça é talvez o ideal mais exaltado da sociedade humana. A falta dela não é apenas a fonte de muitos problemas no mundo, mas também uma causa de raiva persistente e ressentimento dentro de nós.

Nós nos sentimos como se tivéssemos direito à justiça. Mas não temos direito divino à justiça. De fato, não ha nada do tipo no mundo natural.

A natureza não é projetada para ser justa. Está repleta de exemplos de crueldade. Pode-se argumentar que estes incidentes são atribuições à existência de uma cadeia alimentar. No entanto, apontar para esta cadeia alimentar serve apenas para reforçar esta ideia de natureza injusta, pois a representação dos fracos como uma presa é contra nossa própria ideia de justiça.

A verdade fria é que não há justiça no mundo. É um conceito social projetado para manter a ordem na sociedade. A justiça é uma quimera e ferramenta humana – essencial para a operação ordenada da vida em nossas sociedades. Mas não há direito natural à justiça.

Se a justiça estivesse embutida na natureza, como um componente essencial, o mundo não operária a justiçá matematicamente? Inserir um comportamento = saída de um comportamento específico em retorno? Mas compare isso com o que realmente acontece na vida real.

Na vida real, a gentileza nem sempre produz bondade, ou seja, não funciona como, por exemplo, a lei da gravidade. Não há garantias. Por que não há garantias? Porque a resposta depende apenas dos caprichos fantasiosos humanos.

A justiça funciona maravilhosamente como conceito, na religião ainda mais. Por isso promete segurança em mundo cruel. Algumas religiões confiam na “vida após a morte” como uma garantia de justiça. Infelizmente, a ideia de “vida após a morte” é outro conceito criado para explicar o inexplicável. Ao outorgar a entrega da justiça para uma vida após a morte, procura-se manter a ilusão de justiça na mente das pessoas.

Deixe-me terminar com isso – nós humanos, como espécie, somos grandes contadores de histórias. Acreditamos e vivemos várias histórias e ideias. Como Yuval Noah Harari colocou, “Você  nunca poderia convencer um macaco a lhe dar uma banana prometendo-lhe bananas sem limites após a morte no paraíso dos macacos”. Mas você pode convencer um humano a seguir um conjunto de normas e valores comportamentais em troca da promessa de um paraíso perfeito.

Essa história da justiça claramente não é uma história que se possa seguir logicamente, e é precisamente por isso que a realização da justiça definitiva é colocada fora do nosso alcance em um vida separada e um mundo separado, não verificado e inverificável.