“Mas e os mundos que existem do outro lado do rio da morte? – Insistiu ela.
-Não existe esperança, aqui ou no além. Meu povo crê nisso – respondeu Conan. – Neste mundo, os homens lutam e sofrem por nada; se encontram prazer, é apenas no fulgurante desatino da batalha. Ao morrerem, suas almas entram em um reino cinzento, enevoado, coberto de nuvens e ventos gélidos, e vagam desesperançados eternamente.
Bêlit sentiu um arrepio.
-A vida, por pior que seja, é muito melhor que um destino desses.Em que você acredita, Conan?
Ele encolheu os ombros.
-Já conheci muitos deuses; quem nega sua existência é um cego, assim como aquele que confia demais neles. Não me importo com o que existe além da morte. Tanto pode ser a escuridão em que acreditam os céticos nemédios, o reino de gelo e nuvens onde vive Crom, as planícies geladas e os corredores fechados da Valhalla nos quais crê o povo de Nordheim. Eu não sei, não me importo. Preciso viver intensamente enquanto posso. Quero experimentar os ricos sucos da carne vermelha e o vinho picante, o aperto quente de braços brancos como o marfim, a loucura do triunfo na batalha quando as lâminas azuladas queimam e se tingem de vermelho. Isto basta para me alegrar. Que os mestres, os sacerdotes e os filósofos meditem sobre as questões da realidade e da ilusão! De uma coisa eu sei. Se a vida é ilusão, também sou uma: a ilusão é real pra mim. Eu vivo, eu QUEIMO com a vida, eu amo, eu mato, eu sou feliz assim.”