Gosto de números redondos. Por isso me custa que o ano da pandemia seja um número tão arredondado. Preferia um número cheio de arestas e assimetria, como os feios dígitos da Peste Negra, que devastou a Europa entre 1347 e 1351. Já o ano 2020 tem um ar bonacheirão, um rosto limpo de contornos salientes como o de uma data de profecia utópica. Pura ilusão, o ano tem sido pestilento. Ao contrário de outras datas nefastas, esta será sempre fácil de recordar.

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